#9 – São as estrelas!

Reparei que ainda tinhas aquelas estrelas fluorescentes coladas no tecto. Tinhas medo do escuro quando eras pequeno? Ou gostas mesmo do espaço? Nunca conheci ninguém que guardasse o projecto de ciências durante tantos anos. Aqueles planetas perfeitamente alinhados mas muito mal pintados que, em vez de darem a volta ao sol, davam-me a volta à cabeça.

Que ironia astrológica é esta? Desde os meus 5 anos que quis conhecer o teu quarto e só agora, passados tantos anos, é que pude satisfazer essa ância de te conhecer por dentro, e o melhor é que parece que nada foi alterado desde ’97. Ridículo e encantador, era assim que o descreveria se, em vez de estar ocupada a desabotuar-te a camisa, estivesse ocupada a escrever sobre o teu quarto.

Nada disto seria possível se o preço das casas em Lisboa não estivesse tão alto. Obrigada, gentrificação. Até o Alex Turner já fala sobre isso no último álbum. E nós, que somos fãs desde o primeiro, estamos igualmente adolescentes neste momento, pelo menos neste momento. Com esta idade e ainda estamos na casa dos papás, ainda assim, mantiveste os posteres colados à parede, por preguiça ou porque ainda não sentiste o peso dos vinte e tal?

Nunca tinha imaginado o teu quarto todo pintado de azul, mas a verdade é que não podia ser mais poético, é como se estivesses perdido no universo, quando te deitas nos teus lençóis azuis, a olhar para as paredes azuis, com as pequenas estrelas coladas no tecto, e no meio de tanto universo devo dizer-te que me sinto uma galáxia – um grande sistema gravitacionalmente ligado, a ti.

Podia ser terrível e questionar-te sobre o porquê de nunca teres tentado ir para a NASA para conquistares o espaço, mas a verdade é que estás aqui a tentar conquistar um espaço muito mais estranho: o meu.

A minha densidade atmosférica, faz com que a tua respiração acelere . Por quanto tempo vais querer ficar, astronauta? E se ficares por muito tempo, podemos colar estrelas no nosso tecto?

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