Como me tornei CEO

 

Lily, a astronauta

Enquanto era criança quis ser astronauta, era e profissão mais fora da terra e do mundo comum que eu podia ter, permitia-me voar, permitia-me alcançar o inalcançável. Por isso ou porque a minha mãe me obrigou a ver o E.T. (ainda hoje é o filme favorito dela). Quando percebi que não “podia” ser astronauta, pensei em ser actriz para poder fingir ser astronauta, afinal também não pude ser actriz, ainda assim, sei que toco na lua cada vez que concretizo um sonho. Quase toquei nos anéis de Saturno quando me tornei CEO.

Quanto a não poder ser astronauta ou actriz; podia efectivamente ter sido, porque nós podemos ser o que quisermos, mas foi-me dito, até pela minha família, que não podia escolher essas profissões, que nunca conseguiria lá chegar, que as mulheres não eram astronautas e que era quase impossível ser actriz. Nunca fui à NASA (juro que é um enorme sonho!) mas cheguei a ir às audições para o conservatório, não entrei por uma vaga, no fundo, acho que é por isso que hoje estou aqui a escrever que me tornei CEO aos 26 anos.

Licenciei-me em Publicidade e Marketing, embora tenha estudado em três cursos diferentes, quando acabei a licenciatura achei logo que ia trabalhar em agência, acreditei nisso durante apenas uns seis meses. Passei pela televisão, onde fiz conteúdos para o 5 Para a Meia Noite, depois fui para a Lux Woman (entretanto voltei, mas sobre isso podem ler mais aqui) e depois fiz um dos maiores voos da minha vida, fui para a Vogue, por lá estive e por lá amadureci. Quando saí achei que seria praticamente impossível superar aquele sentimento de concretização de um sonho, mas como boa astronauta, sabia que ainda havia muito universo por descobrir e conquistar, depois de lançar este blog que tanto adoro e depois de descobrir o planeta YouTube, decidi que tinha a nave pronta para conquistar o sistema do empreendedorismo.

Num papel rasgado

Em Dezembro de 2017, escrevi  num papel rasgado os meus objectivos para 2018, entre desejos cliché escrevi que queria criar uma marca e fundar a minha própria empresa. O período de gestação foi certinho, nove meses depois lancei a Três Tristes Tshirts. Esse papel rasgado ainda está arrumado entre as decorações de Natal e quero guardá-lo para sempre, como prova irrefutável de que quando trabalhamos para o que queremos, realizamos o que sonhámos, nada é impossível. Hoje sei que nada é impossível e que, se ninguém me tivesse dito quando era muito nova e ingénua, que era impossível vir a ser astronauta, eu hoje estava a escrever-vos da estação espacial internacional e a dizer-vos que o mundo é lindo, mesmo quando se esconde atrás do meu polegar.

A Três Tristes Tshirts

A ideia surgiu logo em Janeiro, e foi ganhando estrutura de dia para dia. Sabia que não ia conseguir concretizar tudo sozinha, felizmente tenho amigas absolutamente geniais. A Catarina Duarte que ama a moda, quase tanto quanto eu amo a Lua, deu-me a mão, o braço e até o ombro para conseguir tornar este sonho realidade. Entre desenhos, cafés e copos de vinho fomos dando forma à marca, discutimos cada centímetro, cada letra, cada cor, cada detalhe. Colocámos a alma, o coração, as mãos, a cabeça e por vezes o fígado ou um rim, em tudo o que criámos. Mas nem pensem que foi tudo fácil, na verdade nada foi fácil. Para quem não sabe, antes de chegarem à Lua fizeram-se algumas viagem em órbita. E isso aconteceu-nos, orbitá-mos, perdemos tempo como quem perde a direcção, mas sabíamos perfeitamente onde queríamos chegar, e isso é um factor muito importante para quem se quer lançar no empreendedorismo ou em viagens intergalácticas, que é mais ou menos a mesma coisa.

Os desafios

Enfrentámos alguns, primeiro porque estávamos a fazer isto tudo pela primeira vez, era a nossa primeira viagem fora da atmosfera que conhecíamos, ás vezes perdíamos o ar, passámos por zonas de gravidade zero onde perdíamos ritmo e velocidade, mas também passámos pela força G, aquela fase em que nos sentimos sugadas em direcção à terra, aí ganhámos a maior velocidade possível e afinámos todos os detalhes, trabalhámos em contra relógio e, provavelmente, perdemos alguns anos de vida, embora tenhamos ganho experiências para a vida.

Começar por t-shirts

As t-shirts são a peça de roupa que tenho em maior quantidade, desde t-shirts de bandas ou festivais, a t-shirts inspiracionais, outras lisas, outras com aplicações ou grafismo muito artísticos, a colecção é vasta e anda sempre comigo. Além de ser uma peça indispensável no meu guarda-roupa, é uma peça que qualquer pessoa tem, e ás vezes considera-a banal, mas eu queria valorizar esta peça, elevá-la ao cubo. As t-shirts podem fazer parte de um look de festival, um look semi-engravatado de segunda-feira de manhã, ou um look totalmente rasgado de sábado à tarde. Servem para sair à noite ou para ir fazer as compras do mês, idas à praia, ou jantares com as amigas, dentro ou fora das calças, rasgadas, atadas, cortadas. Acima de tudo, versáteis. No site trestristestshirts.com podem encontrar a história que esteve na origem de cada um dos modelos, de edição limitada, que disponibilizámos nesta primeira colecção.

Ser CEO

Não tem nada de fácil, a minha ansiedade multiplicou-se, e as preocupações também. O tempo, esse, parece estar em constante subtracção. Ser CEO, founder, ou o que quer que me queiram chamar (Lily continua a servir na perfeição!) é uma tarefa muito complicada e, acima de tudo, exigente, quer a nível intelectual, quer a nível espiritual ou psicológico. É um desafio muito grande garantir que vou dar resposta a tudo, sem falhas. Especialmente quando sei que esta é a minha primeira viagem intergaláctica, ainda tenho vertigens, mas também tenho cada vez mais orgulho nesta pequena estrela que criei e só quero ser capaz de ser um protão para ela, capaz de lhe dar energia positiva e fazê-la brilhar durante centenas de milhares de anos (estava a brincar, eu já sonho com a reforma!!!). Este é o maior desafio da minha vida e isso alimenta-me, ou pelo menos exige que eu me alimente a doses industriais de café, estou feliz e realizada, embora esteja muito cansada. Mas nada, absolutamente nada que valha a pena, se consegue sem esforço ou dedicação. 

Espero que gostem deste novo projecto, tanto como eu gostaria de ser astronauta. Acima de tudo, espero que se identifiquem com o conceito da marca e queiram fazer parte desta viagem.

Esta foi a principal razão pela qual não consegui estar tão presente no blog nos últimos tempos, prometo tornar-me mais assídua e orbitar menos. Mas tudo isto exige uma adaptação. Sejam pacientes comigo, mas nunca deixem de ser exigentes! 

 

Seguir:
Share:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.