Beauty Inclusive

Ser feminista não é apenas lutar pela igualdade de salários. Por muita comichão que isto possa fazer às vossas cabecinhas, se uma mulher pode ser cara de uma linha de maquilhagem porque é que um homem não pode? Se uma mulher pode disfarçar aquela borbulha no meio da testa com base, e hidratar os lábios com batom em toda e qualquer circunstância, porque é que um homem não pode fazer o mesmo? Porque é que isso faz dele menos homem e não faz de nós menos mulheres? Na verdade, o que faz de ti menos mulher é não compreenderes a totalidade do conceito “igualdade”. 

Não podia estar mais contente por ver que algumas marcas de beleza se despiram de preconceitos e passaram a incluir homens e transexuais nas suas campanhas. Porque isso sim é bonito. A inclusão é bonita. É uma forma eficaz de desmistificar o que ainda é mito ou tabu, e é uma excelente forma de mostrar aos cérebros de ervilha que cada um é livre de ser o que quer.

Há mais de um ano, a M.A.C. lançou uma linha com Caitlyn Jenner (antes conhecido como Bruce Jenner, pai de Kylie e Kendall Jenner). Foi com este acto de coragem que a industria da beleza começou a dar os primeiros passos para a igualdade e inclusão.
Foto em @maccosmetics (Instagram)

Agora foi a vez da Maybeline New York se juntar às marcas que apoiam a utilização de maquilhagem por ambos os sexos, ou melhor dizendo, por todos os géneros. Manny Gutierrez, uma estrela de beleza no universo Millennial, é homem e é a cara de uma nova campanha da Maybeline. Manny é youtuber e faz parte da nova tendência de beauty boys – homens que são maquilhadores e que se maquilham a eles mesmos. Manny não é transexual, não se vê como mulher, vê-se como homem e vê na maquilhagem uma forma de arte. 

Hari Nef, uma activista, actriz, modelo e transexual. Entra na série Transparent, já desfilou para a Gucci e agora dá a cara por uma campanha da L’Oréal Paris. Numa recente entrevista ao The Guardian, Nef, diz ser um “activista acidental” mas não é passiva perante as injustiças que vê, contudo, diz que acaba por deixar muitas coisas de lado, “eu podia fazer um tweet (…) sobre uma marca de moda que cancelou uma modelo depois de saber qual era o seu género(…)” ela disse ainda que “o Instagram tornou-se um espaço onde me posso visualizar tal como me sinto. A visibilidade nem sempre é uma coisa boa, mas quando se encontra nas mãos de quem necessita de visibilidade para fazer uma mudança positiva, pode ser boa.”
Com isto, a L’Oréal é mais uma das marcas que acredita na beleza de todos independentemente do seu sexo, tom de pele ou orientação sexual.
Para além destes três casos, há muitos outros que inspiram milhares de pessoas a procurarem dentro de si o que realmente são e assumirem-se. Felizmente as marcas estão a promover a igualdade e o respeito. Aproveito para deixar o meu agradecimento não só a estas três pessoas e a estas três marcas mas também à Lavern Cox ou ao Elliot Fletcher, por terem dado a cara e por terem interpretado papéis de transexuais em séries famosas (Orange Is The New Black e Shameless, respectivamente), ou ao Eddie Redmayne por ter interpretado brilhantemente o seu papel em “The Danish Girl”, é aos poucos que se desmistifica e é assim que conquistamos liberdade, igualdade e respeito.
E por muito que não gostem ou não concordem, pelo menos, respeitem.

 

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