26 anos de expansão de um universo

 

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 Eternamente garota. Eternamente feliz. Liliana Marques em Lisboa no ano de 1995.

 

Há um ano atrás completei os 25 anos; uma data poética da vida que quis que eu escrevesse uma prosa para celebrar o quarto de século e a vida. Para ler >>aqui<<.
Hoje escrevo-vos sobre a soma de mais 365 dias.

Cá estou eu, ainda no mesmo quarto, no mesmo teclado, encostada à mesma almofada, agora com 26 anos que ainda sabem a 21.
Cresço devagar, como se fosse a continua expansão do universo, não sei onde vou parar, não sei quais as fronteiras destas somas, ninguém diria que já tenho estes anos todos e com tanto universo em expansão dentro de mim, nem consigo contar todas as estrelas. Há coisas difíceis de contar, as estrelas e as minhas sardas, também elas em expansão desde 12 de Março de 1992. E se provas faltassem de que eu sou um pequeno universo em expansão, bastava olharem para as constelações à volta do meu nariz para perceberem a complexidade deste Big Bang.

Há um filosofo indiano que diz que nunca estamos sozinhos ou desamparados, porque  a força que guia as estrelas é a mesma que nos guia a nós. E isto serve de combustível para o resto do texto.

Sempre me achei uma estrela fora da constelação, um planeta desalinhado, uma lua sem órbita. Independentemente se mercúrio está retrógrado, nunca me apeteceu duvidar muito de mim mesma, como se tivesse uma condição estranha, mas capacitante, de me achar sempre suficiente e capaz de tudo. Com todos os medos à mesma, sim, porque eu não tenho ausência de medos, tenho ausência de cobardice. Como a Mónica disse pouco tempo depois de nos conhecermos – Tu achas que não tens nada a perder, só a ganhar. Não ter medo de perder é, muito provavelmente, o suficiente para ganhar. E por isso, apesar de achar que sou uma estrela fora da constelação, vivo feliz nesta posição.

Há muitas coisas que me inspiraram a alcançar, cada vez com mais força, todos os meus objectivos. A minha mãe que nunca me deixar duvidar, nem por um segundo, que vou conseguir tudo o que quero e com uma perna às costas. As frases escritas pelas ruas, as quotes do Pinterest, as letras das minhas músicas favoritas, aquelas coisas do tipo “acredito muito na sorte; quanto mais trabalho, mais sorte pareço ter” ou “nada é em vão, se não é bênção, é lição” e ainda uma muito particular e criada a meio dos meus 25 anos num dos melhores momentos de sempre “se em teoria dá tudo certo, na prática também!”. Mas o meu segredo, se é que ele existe, não é inspirar-me em coisas bonitas ou deitar a minha cabeça no colo de pessoas incríveis, é simplesmente acreditar que vou mesmo conseguir. Por muito que acredite no poder do universo, não acredito nada em Deus, deposito quase toda a minha fé em mim mesma, narcisismo ou mania, a verdade é que resulta. E o que sobra da fé que tenho deposito-a nas estrelas, tenho lá um bom depósito para o caso de precisarem de fiador.

Olho todos os dias para a criança que fui (e sou) e ela continua a olhar para mim da mesma forma, orgulhosa por nunca ter desistido de se tornar na mulher que sou hoje. Se isto não sabe a felicidade, sabe a quê?

Se por um lado parece que nada mudou – continuo com o mesmo cabelo curto e despenteado, a mesma paixão por t-shirts e por riscas, e a mesma descontracção épica e sem esforço – por outro lado sinto que toda a minha história, a minha expansão e tudo o que mudou em mim ao longo destes 26 anos são um presente por ter nascido, o melhor dos presentes, a melhor das bênçãos – a de ser feliz, independentemente da merda toda que acontece. Eternamente feliz. Eternamente garota.

 

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